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Uso de tadalafila antes de treinos e corridas preocupa especialistas: medicamento não melhora desempenho e pode aumentar riscos

Foto do escritor: Tiago Queiróz
Tiago Queiróz
9 de jul.
2 min de leitura

A busca por melhor desempenho tem levado alguns praticantes de atividade física a recorrerem ao uso da tadalafila antes dos treinos. Conhecido pelo tratamento da disfunção erétil, o medicamento passou a ser utilizado por frequentadores de academias e também por corredores de rua na expectativa de aumentar a circulação sanguínea, reduzir o cansaço e melhorar a performance.


Especialistas alertam, no entanto, que não há comprovação científica desses benefícios e que a prática pode representar riscos à saúde.

A tadalafila promove a dilatação dos vasos sanguíneos, provocando uma sensação temporária de maior irrigação muscular, conhecida como pump. Apesar disso, estudos realizados com pessoas saudáveis não demonstraram melhora na força, na resistência ou na capacidade física.


"Estudos em atletas saudáveis demonstraram que a tadalafila não melhora parâmetros de aptidão física. Um estudo inclusive demonstrou aumento de marcadores de dano muscular. O pump é apenas uma sensação temporária, não um indicador de hipertrofia ou ganho de força", afirma o endocrinologista Pedro Guilherme Cabral, do Hospital Brasília.

Para quem pratica corrida de rua, os cuidados devem ser ainda maiores. Durante treinos longos ou provas, especialmente sob temperaturas elevadas, o organismo já sofre uma intensa sobrecarga cardiovascular. A ação vasodilatadora da tadalafila pode potencializar esse efeito.


"A tadalafila possui propriedades vasodilatadoras sistêmicas que podem causar quedas transitórias na pressão arterial. Durante exercícios de alta intensidade, especialmente em ambientes quentes, onde já há vasodilatação periférica e demanda cardiovascular aumentada, isso pode resultar em tonturas, hipotensão e até síncope", explica Cabral.

Em provas de 10 km, meias maratonas e maratonas, por exemplo, episódios de tontura, desmaios ou queda brusca da pressão podem comprometer não apenas o desempenho, mas também colocar a saúde e a segurança do atleta em risco.


O cardiologista Fernando Costa, coordenador da UTI do Hospital Santa Paula, da Rede Américas, afirma que o uso recreativo da tadalafila tem se tornado mais frequente entre pessoas jovens e aparentemente saudáveis.


Segundo o especialista, embora complicações graves sejam pouco comuns, alguns sinais exigem atendimento médico imediato.


"Pacientes que experimentam dor torácica após tomar tadalafila devem procurar atendimento médico imediato", alerta Costa.

Além da dor no peito, sintomas como tontura intensa, sensação de desmaio, perda de consciência e o priapismo — ereção persistente por mais de quatro horas — também exigem avaliação médica urgente.


Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que o consumo de tadalafila segue em crescimento no Brasil. Em 2025, foram comercializadas 74,9 milhões de caixas do medicamento, um aumento de 15,8% em relação ao ano anterior.

Para os especialistas, quem busca evolução na corrida ou em qualquer modalidade esportiva deve investir em estratégias já consolidadas.


"Na ausência de evidência de benefício para desempenho esportivo ou ganho de massa muscular, o que resta é apenas a exposição a riscos desnecessários", afirma Cabral.

O endocrinologista reforça que não existem atalhos para melhorar a performance.


"Os verdadeiros pilares para ganho de massa e desempenho são treino adequado, nutrição balanceada, descanso apropriado e paciência. Não existem atalhos seguros", conclui.

Para corredores, a orientação é evitar a automedicação e buscar acompanhamento profissional sempre que houver interesse em utilizar qualquer substância com a promessa de melhorar o rendimento. O desempenho esportivo depende principalmente de treinamento consistente, alimentação adequada, hidratação, recuperação e planejamento, e não de medicamentos utilizados fora de sua indicação clínica.


Fonte: Folha de SP

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