Entre braçadas e rodas: Marcos Paulo supera barreiras e transforma o esporte em caminho de inclusão

Aos 26 anos, Marcos Paulo Giudice encontrou no esporte uma forma de ampliar seus limites e conquistar novos espaços. Atleta da Fundação José Silveira (FJS), o cadeirante foi um dos vencedores dos 5 km da terceira edição da Corrida Saúde Crônica, realizada no último domingo (20), na Praça Bahia Sol, em Ondina, em Salvador.
Cadeirante há seis anos, Marcos tem osteogênese imperfeita, condição que começou a se agravar aos nove anos de idade. A deficiência, no entanto, não impediu que ele construísse uma trajetória no esporte. Há três anos, começou a praticar natação e encontrou na modalidade uma nova perspectiva para a própria vida.
“Ah, o esporte mudou tudo. Hoje, como eu estou iniciando na corrida, agora para mim é tudo novo ainda. Mas, como atleta de natação, já tenho um currículo um pouco legal. Sou três vezes campeão brasileiro. Então, o esporte mudou muito minha vida no geral, em qualidade de vida e longevidade. Então, tudo isso conta. O esporte é sensacional”, afirmou.
A experiência como atleta também fez Marcos acompanhar de perto o crescimento da participação de pessoas com deficiência nas competições. Para ele, a conquista de espaço pelos atletas PCD representa uma mudança importante no esporte.
“Hoje a gente vê o atleta PCD conquistando cada vez mais reconhecimento no esporte. É muito importante perceber que nosso trabalho está sendo valorizado e que estamos ocupando lugares que antes não eram acessíveis para nós. Poder representar essa causa e mostrar que somos capazes é algo muito especial”, destacou.
Foi nesse processo que a corrida entrou na rotina do atleta. Há cerca de oito meses, Marcos começou a se dedicar também às provas de rua, ampliando os desafios para além da natação. A Corrida Saúde Crônica foi sua segunda participação e terminou com uma evolução no desempenho.
“Eu sou atleta de natação. É a minha modalidade. A corrida entrou na minha vida de uma forma tão aleatória... Essa é minha segunda corrida na Saúde Crônica e, para mim, foi uma experiência incrível. Consegui melhorar meu resultado, meu tempo. Então, para mim, foi sensacional”, contou.
Além do resultado nos 5 km, a participação reforçou para Marcos o potencial do esporte como instrumento de inclusão e enfrentamento ao preconceito. Segundo ele, a presença de atletas com deficiência nas competições ajuda a mudar a percepção da sociedade.
“A pessoa que pratica atividade física, sendo ela PCD ou não, é vista de uma maneira diferente. Como você passa qualidade de vida, você passa preparo físico, você passa longevidade de vida. Então, isso é maravilhoso”, afirmou.
Para outros atletas PCD que ainda não encontraram uma modalidade esportiva, Marcos deixa uma mensagem baseada na própria experiência: começar.
“Eu acho que o principal é dar o primeiro passo. O pontapé inicial é sempre mais difícil, mas depois que começa, consegue se adaptar. Seja em qual modalidade você quiser participar, você pode. Você é capaz, você pode, você conquista”, completou.




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