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"Correr é meu tratamento": atleta com autismo emociona ao contar como a corrida mudou sua vida

Foto do escritor: Tiago Queiróz
Tiago Queiróz
13 de jul.
2 min de leitura

Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), técnico em informática afirma que a corrida se tornou parte do tratamento, melhorando a saúde mental, a criatividade e a qualidade de vida.


A corrida de rua transformou a vida de Rafael Dias Nolasco, de 32 anos. Morador de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, o técnico em informática encontrou no esporte muito mais do que uma atividade física: descobriu um caminho para o equilíbrio emocional, o desenvolvimento pessoal e a inclusão. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA, ele afirma que correr se tornou parte essencial do tratamento e da construção de uma vida com mais qualidade.


Neste domingo (12), Rafael voltou a subir ao pódio ao conquistar o terceiro lugar nos 10 quilômetros da 25ª Corrida do Fogo, promovida pelo Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA), na categoria Pessoa com Deficiência (PCD). O resultado reforça uma trajetória marcada pela disciplina e pela evolução constante nas provas de rua.


Entre os principais resultados da carreira está a Maratona Salvador 2026, quando conquistou o primeiro lugar na categoria PCD DI (Deficiência Intelectual), consolidando-se entre os destaques da modalidade.


O primeiro contato com a corrida aconteceu ainda quando criança, incentivado pelo pai. Na adolescência, interrompeu a prática, mas decidiu voltar aos treinos em 2022. Pouco tempo depois, passou a disputar provas de rua e, desde então, vem acumulando evolução e conquistas.


"Corro desde os nove, dez anos com meu pai. Parei durante a adolescência e voltei a correr regularmente em 2022. Foi entre 2022 e 2023 que comecei a competir", relembra.

Os treinos acontecem principalmente pelas ruas do bairro de Itinga, onde mora, e pelo Centro de Lauro de Freitas. Atualmente, Rafael treina sozinho, conciliando a rotina esportiva com o trabalho como técnico em informática no Senai Cimatec.


Mais do que buscar resultados nas provas, ele destaca os benefícios que a corrida proporciona para sua saúde física e mental. Segundo Rafael, o exercício ajuda a controlar os sintomas do autismo, melhora a concentração e amplia sua criatividade.



"Ser autista e correr é uma forma de me regular. É uma forma de tratamento. O movimento ajuda o meu corpo e a minha mente. Correr me ajuda a ser uma pessoa melhor, mais criativa e mais útil para a sociedade."

Apesar dos avanços na conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista, Rafael diz que ainda convive com situações de preconceito. Entre elas, comentários que tentam minimizar sua condição.


"Algumas pessoas olham com desdém. Tem aquele estigma de dizer: 'Nem parece autista', como se isso fosse um elogio. Mas não é. Cada autista é diferente. O movimento só tem me ajudado a enfrentar isso."

Para Rafael, a corrida representa liberdade, autonomia e qualidade de vida. A conquista na Corrida do Fogo reforça como o esporte pode ser uma poderosa ferramenta de inclusão e superação, mostrando que determinação e disciplina são capazes de romper barreiras dentro e fora das pistas.


"Agora é continuar correndo. É seguir em frente e aproveitar tudo o que a corrida proporciona", conclui.




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