Quase quatro em cada dez corredores admitem já ter participado de provas como "pipoca", aponta pesquisa inédita
- Tiago Queiróz
- há 5 dias
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Levantamento da Ticket Sports ouviu mais de 11,5 mil atletas de todo o Brasil e revela que o alto custo das inscrições é o principal motivo para correr sem registro oficial
Participar de uma corrida de rua sem inscrição oficial é uma prática mais comum do que muitos imaginam. Uma pesquisa inédita realizada pela Ticket Sports, uma das principais plataformas de eventos esportivos da América Latina, revelou que 36,3% dos corredores brasileiros já participaram de pelo menos uma prova como "pipoca" — termo utilizado para definir atletas que percorrem o trajeto sem estarem regularmente inscritos.
O levantamento, intitulado "Pipoca nos eventos: uma análise dos corredores 'pipocas' para além do hate nas redes sociais", entrevistou 11.596 participantes de eventos esportivos em todo o país e traçou um panorama sobre o perfil, as motivações e a percepção desses corredores. Entre os participantes que admitiram já correr sem inscrição, 54,7% são mulheres e 45,3% homens. Além disso, quase um terço (29,6%) participou de quatro a seis eventos esportivos ao longo do último ano, mostrando que não se trata de um comportamento isolado.
Inscrição cara lidera motivos
O preço das inscrições aparece como o principal fator para a participação irregular. Segundo a pesquisa, 50,3% dos "pipocas" afirmaram que o alto custo das provas foi decisivo para correr sem pagar.
Outros motivos citados foram acompanhar amigos ou familiares (35,5%), decidir participar em cima da hora (16,9%) e não conseguir vaga em provas muito disputadas (14,6%).
Os dados também mostram que o comportamento possui forte influência social. A maioria dos entrevistados costuma correr acompanhada de amigos, familiares ou grupos de corrida, e 59% dos corredores que já participaram como pipoca disseram incentivar outras pessoas a fazer o mesmo.
Sensação de pertencimento
Mesmo sem inscrição oficial, muitos desses atletas afirmam se sentir parte do evento. A pesquisa aponta que 43,6% consideram fazer parte, total ou parcialmente, da experiência da prova, o que ajuda a explicar a naturalização dessa prática entre parte da comunidade da corrida.
Para Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, o objetivo do estudo foi compreender o fenômeno de forma mais ampla, sem transformar o debate em uma disputa entre opiniões.
"Os resultados mostram que o fenômeno dos 'pipocas' é muito mais complexo do que uma simples escolha entre se inscrever ou não. O estudo busca oferecer informações e gerar reflexões para quem organiza eventos esportivos, indo além das discussões e do hate nas redes sociais", afirmou.
Uso da estrutura gera debate
Embora muitos corredores afirmem utilizar apenas o percurso da prova, o levantamento mostra que 48,8% também fazem uso da estrutura oferecida pelos organizadores, como postos de hidratação, banheiros e áreas de convivência.
Mesmo assim, 71,5% dos participantes que já correram como pipoca acreditam que sua presença não provoca impacto financeiro para os organizadores.
Entre quem nunca participou de uma prova sem inscrição, a percepção é oposta: 63,1% entendem que a prática gera prejuízos econômicos para os eventos.
Na prática, o impacto já foi percebido em algumas das principais corridas do país. Provas como a São Silvestre e a Maratona de Porto Alegre registraram falta de água em postos de hidratação devido ao número elevado de participantes não inscritos.
Norte e Nordeste concentram maiores índices
A análise regional aponta diferenças importantes no comportamento dos corredores.
O Norte lidera o ranking proporcional de participantes que já correram como pipoca, com 62% dos entrevistados afirmando ter vivido essa experiência. Em seguida aparecem o Nordeste (44%) e o Sul (43%).
Já o Sudeste (34%) e o Centro-Oeste (30,4%) registraram os menores índices.
Segundo a pesquisa, fatores como o valor das inscrições, a oferta de eventos e as características de cada mercado regional podem influenciar esses resultados.
Público pode ser convertido
Apesar da prática, o estudo revela que a maioria dos "pipocas" também participa regularmente de provas oficiais.
Mais de 90% dos entrevistados que já correram sem inscrição afirmaram realizar inscrições em outras corridas, indicando que não se trata de um público totalmente distante dos organizadores.
Para Gabriela Donatello, head de Marketing da Ticket Sports e coordenadora da pesquisa, esse dado representa uma oportunidade para o mercado.
"O estudo mostra que existe espaço para fortalecer o relacionamento com esses atletas, comunicando melhor os diferenciais dos eventos e criando experiências mais relevantes. Estamos falando de um público que faz parte do ecossistema das corridas e que pode ser fidelizado com estratégias adequadas", destacou.
Debate divide opiniões
A pesquisa também ouviu corredores que nunca participaram de provas como pipoca.
Entre eles, 45% consideram a prática aceitável em determinadas situações, enquanto 55% discordam. Além disso, 38,3% afirmaram que poderiam cogitar participar dessa forma no futuro.
Mesmo sem terem sido diretamente prejudicados, 50,9% entendem que correr sem inscrição é injusto com quem pagou pela prova. Por outro lado, muitos associam o fenômeno à democratização do esporte, ao aumento do custo das inscrições e à dificuldade de conseguir vagas em eventos concorridos.
Outro dado reforça a dimensão do tema: 76,9% dos entrevistados disseram conhecer alguém que já participou de uma corrida sem inscrição oficial.
Origem do termo
A expressão "pipoca" nasceu no Carnaval de Salvador para identificar foliões que acompanhavam os trios elétricos sem abadá, fora das cordas dos blocos.
Com o tempo, o termo passou a ser utilizado em outros contextos, incluindo as corridas de rua, para definir quem participa do percurso sem inscrição oficial. No entanto, especialistas apontam que a comparação possui limitações, já que, nas corridas, esses participantes utilizam uma estrutura planejada e financiada exclusivamente para os atletas inscritos.
Fundada em 2015 e integrante do grupo Ingresse, a Ticket Sports é atualmente a maior plataforma de inscrições para eventos esportivos da América Latina. A empresa reúne mais de 1 milhão de atletas cadastrados, contabiliza mais de 12 mil eventos comercializados e ultrapassa 5,5 milhões de inscrições vendidas.




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