Atleta PCD supera amputação e vence os 21 km em Salvador: “O esporte levantou minha autoestima”

Aos 41 anos, o atleta PCD Carlos Antônio Guedes do Nascimento conquistou, neste domingo (27), o primeiro lugar na categoria cadeirante dos 21 km da 8ª edição da Maratona Salvador. Natural de Maceió (AL), ele participou pela sexta vez da competição na capital baiana e voltou ao lugar mais alto do pódio.
Esta foi a segunda vitória de Carlos Antônio na prova, que acumula participações em competições realizadas em diferentes estados brasileiros.
“É a sexta vez que participo aqui em Salvador, onde fiz o meu melhor tempo, que foi 1h54. Já tive primeiro, segundo e agora primeiro de novo”, contou.
Carlos Antônio convive com uma deficiência há 21 anos, após sofrer um acidente de trabalho que provocou a amputação da perna direita. Ele começou a praticar corrida em 2007, inicialmente em provas de 5 km.
“Comecei com a prova de 5 quilômetros, depois fui aumentando para 10, para 15, 21, até chegar à maratona. E hoje, a maratona é o meu foco”, afirmou.
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Experiência em provas pelo Brasil
A vitória em Salvador faz parte de uma trajetória que inclui participação em provas de longa distância e importantes competições do calendário nacional. Carlos Antônio já disputou maratonas em cidades como Curitiba e Blumenau, além de ter participado quatro vezes da Corrida Internacional de São Silvestre, sempre alcançando o pódio, segundo o atleta.
Agora, ele projeta um novo objetivo para a carreira: disputar uma competição internacional e representar o Brasil.
“Meu grande sonho para o futuro é participar de uma competição fora do nosso país para poder representar o nosso Brasil”, disse.
Esporte como recomeço
Carlos Antônio atribui ao esporte uma mudança na forma como passou a enxergar a própria vida depois do acidente. Segundo ele, o período após a amputação foi marcado por dificuldades emocionais e pela sensação de que não teria mais condições de seguir adiante.
“O esporte se apresenta na minha vida como superação. Quando sofri o acidente, pensei que a vida tinha acabado, pensei em cometer suicídio e achei que minha vida não tinha mais sentido de viver com uma perna só. Mas, quando conheci o esporte, primeiramente Deus, foi o esporte que levantou minha autoestima e fez com que eu acreditasse em mim mesmo”, relatou.
Para o atleta, a experiência também se transformou em uma forma de incentivar outras pessoas com deficiência a encontrarem no esporte uma possibilidade de autonomia e superação.
“A deficiência não define o que a gente é. Nós precisamos lutar, porque as barreiras surgem na nossa vida para a gente passar por elas”, afirmou.




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