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Mara Castro transforma dor em superação e encontra na corrida um novo sentido para a vida

Foto do escritor: Tiago Queiróz
Tiago Queiróz
30 de jun.
3 min de leitura

A corredora, influenciadora digital e administradora de empresas Mara Castro, de 26 anos, encontrou na corrida muito mais do que um esporte.


O que começou como uma atividade física se transformou em uma ferramenta de superação, capaz de mudar completamente a sua relação com a vida e ajudá-la a vencer um quadro grave de depressão.

Natural do município de Adustina, no interior da Bahia, Mara chegou sozinha a Salvador logo após concluir o ensino médio, determinada a buscar novas oportunidades e realizar o sonho de cursar uma faculdade. O objetivo foi alcançado com a formação em Administração, área em que atua atualmente, conciliando a profissão com o trabalho como social media e a produção de conteúdo nas redes sociais.



“Sempre gostei das redes sociais, desde pequena. Tinha canal no YouTube e no Facebook. Sempre fui uma criança que gostava de incentivar e de falar sobre a vida”, relembra.

Mas nem sempre a trajetória foi marcada por conquistas. Mara conta que enfrentou um dos momentos mais difíceis da sua vida quando desenvolveu um quadro severo de depressão, período em que perdeu a vontade de viver e passou a enxergar os dias apenas como uma obrigação.



“Eu não via mais sentido na vida. Ia para o trabalho porque precisava pagar as contas. Até a faculdade, que era o meu sonho, já não me motivava mais. Foi quando encontrei a corrida, que vem transformando a minha vida todos os dias”, afirma.

Segundo ela, a prática esportiva, aliada à fé, foi essencial para a recuperação emocional e para a construção de uma nova perspectiva de vida.


“Hoje, a depressão e a ansiedade não habitam mais em mim. Tenho muita vontade de estar viva. Sou feliz, completa e não tenho do que reclamar da vida. Os responsáveis por isso foram, primeiramente, Jesus e, depois, a corrida”, destaca.

A força para continuar, mesmo diante dos obstáculos, vem das lembranças da própria história. Mara revela que enfrentou rejeições e poucas oportunidades durante a infância, experiências que hoje servem como combustível para seguir em frente.


“Fui uma criança rejeitada e sofrida, tive poucas oportunidades na vida. Ver que hoje vivo bem ajuda a continuar e a não desistir”, diz.

A capacidade de superação voltou a ser colocada à prova durante a tradicional corrida Farol a Farol, realizado em Salvador no dia 24 de maio. Apesar de estar se preparando para disputar os 21 quilômetros, uma lesão e o desânimo quase a impediram de participar da prova. Ainda assim, ela cruzou a linha de chegada e transformou o momento em mais uma vitória pessoal.


“Foi uma sensação indescritível. Eu estava me preparando para correr os 21 quilômetros, mas veio a lesão e, logo depois, o desânimo. Então, cruzar a linha de chegada foi incrível. Superei todas as expectativas”, relata.


Um dos momentos mais marcantes aconteceu no último quilômetro, quando decidiu concluir o percurso descalça.


“Eu já estava sentindo muita dor e não aguentava mais. Caí durante o percurso e cortei o dedo mindinho. Não conseguia mais andar direito, então tirei o tênis e fui. Foi o quilômetro mais difícil e desafiador. Em meio às lutas diárias, à rotina puxada e à lesão, conseguir terminar a prova e ver as pessoas me esperando mostrou o quanto sou amada”, afirma.

“Gosto de mostrar que todos somos capazes de conquistar qualquer coisa, desde que corram atrás e se dediquem. A vida presta sim. Somos maiores que os nossos problemas”, completou.

Para quem enfrenta momentos difíceis e enxerga na corrida uma possibilidade de recomeço, Mara deixa um conselho baseado na própria experiência.


“Comece no seu tempo e não se cobre tanto. A corrida me ensinou que recomeçar não é sobre velocidade, mas sobre constância. Foi justamente nos momentos mais difíceis que descobri a minha força”, conclui.

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