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“Eu sobrevivi e continuo correndo”: advogado baiano supera atropelamento grave causado por motociclista embriagado

  • Foto do escritor: Tiago Queiróz
    Tiago Queiróz
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura


A corrida entrou na vida do advogado Manoel Messias Lima Vieira, de 33 anos, em um dos momentos mais difíceis de sua história. Após perder o pai, vítima da Covid-19 em junho de 2021, ele encontrou no esporte uma forma de enfrentar o luto e reorganizar a própria vida. O que começou como uma tentativa de aliviar a dor emocional acabou se transformando em um símbolo de superação — especialmente depois de um grave acidente que quase tirou sua vida.


“A corrida era uma terapia, uma válvula de escape para as dores emocionais profundas. Quando eu estava correndo era como se tudo de ruim desaparecesse. Foi na corrida que me reencontrei”, relembra.

Inicialmente, Manoel treinava sozinho. Alguns meses depois, passou a seguir uma rotina mais estruturada ao aceitar o convite de um amigo para treinar com uma assessoria de corrida. Os treinos passaram a fazer parte do cotidiano e ajudaram a evitar que a tristeza se transformasse em uma depressão mais profunda.




O dia que mudou tudo


No dia 19 de abril de 2023, por volta das 16h40, Manoel saiu de casa para mais um treino. O plano era completar 10 quilômetros. O percurso seguia normalmente até que, no quilômetro cinco, tudo mudou.


“Senti uma pressão grande nas costas e fui arremessado para o meio da pista. Vi um motociclista desmaiado ao lado da moto, cerca de 20 metros de mim”, conta.

Ao tentar se levantar para ajudar, ele percebeu que algo estava gravemente errado.


“Escutei o barulho do osso arrastando no chão. Quando olhei para as minhas pernas, vi uma cena que só tinha visto em vídeos de acidentes. Estavam completamente retorcidas.”

O impacto provocou lesões gravíssimas. Manoel sofreu fratura exposta de tíbia e fíbula na perna direita, com esmagamento da musculatura, além de fratura multifragmentada do fêmur na perna esquerda, fraturas no quadril e nas costelas.



Luta pela sobrevivência


Socorrido em estado crítico, o advogado passou por cirurgias emergenciais e ficou 15 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Durante o período de internação, enfrentou complicações severas, como embolia pulmonar, derrame pleural e rabdomiólise, condição causada pelo esmagamento muscular.


Ele também precisou receber sete bolsas de sangue durante o tratamento.


Depois da alta hospitalar, veio outro desafio: reaprender a viver com as limitações impostas pelas lesões.

“Eu não conseguia andar. Dependia completamente da minha esposa para tudo, desde tomar banho até comer. Foi uma batalha física e mental diária”, relembra.

A esposa, Mariana Carvalho, teve papel fundamental durante todo o processo de recuperação, assim como outros familiares.


“Ela foi meus braços e minhas pernas. Esteve comigo desde o momento do acidente até o meu primeiro passo na reabilitação. Foi responsável por praticamente tudo: trocava minhas fraldas, me dava banho, me alimentava, comprava os remédios. Não posso deixar de lembrar também da minha avó, Neuza, que mesmo com 85 anos, na época, todos os dias preparava comida e ajudava minha esposa. Minha mãe, Silene, minha sogra, Marilene — que tirou férias para estar ao meu lado — e meu irmão, Bruno, também foram de extrema importância nesse período”, diz.





O retorno à corrida


A recuperação foi longa. Cerca de oito meses após o acidente, Manoel tentou correr novamente pela primeira vez. Ainda com cerca de 20 quilos acima do peso, conseguiu completar dois quilômetros na esteira.


“Foi um misto de emoção e alegria. Algo indescritível”, conta.



Hoje, correr ganhou um significado ainda mais profundo.


“Cada passo que dou significa uma vitória. A corrida virou um símbolo da minha história e continua sendo um remédio para a alma.”


Alerta sobre álcool e direção


O acidente que quase tirou sua vida foi provocado por um motociclista embriagado. Para Manoel, a experiência reforçou a importância da responsabilidade no trânsito.


“Não existe beber pouco e dirigir. Qualquer quantidade já coloca outras pessoas em risco. Álcool e direção não são um erro, são uma escolha que pode destruir vidas. Se o meu relato fizer ao menos uma pessoa pensar duas vezes antes de beber e dirigir, então tudo isso também terá servido para salvar vidas.”, afirma.



Uma nova forma de ver a vida


Depois de tudo o que enfrentou, Manoel afirma que passou a valorizar ainda mais a vida e as pessoas ao seu redor.

“Aprendi que a vida é frágil, mas também que o ser humano é muito mais forte do que imagina. Com fé, força e apoio da família, é possível se levantar e seguir em frente.”

Hoje, cada corrida tem um significado especial.


“‘Eu sobrevivi e continuo correndo’ representa gratidão pela vida. Não é apenas correr. É celebrar o fato de estar vivo.”



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