Do salto triplo à direção técnica: Júnior Assis constrói trajetória no atletismo e nas corridas de rua em Salvador

A história de Antônio Carlos de Assis Júnior, o Júnior Assis, 52 anos, começou ainda na infância, quando entrou no atletismo para disputar provas de saltos. Décadas depois, o esporte continua sendo o centro de sua vida, agora em uma função diferente. Formado e pós-graduado em Educação Física, ele atua como diretor técnico de corridas de rua e acompanha de perto o crescimento da modalidade na Bahia.
Especialista nos saltos em distância e triplo, Júnior construiu uma trajetória marcada por títulos estaduais, nacionais e internacionais.
“Comecei com 10 anos de idade no esporte, fazendo salto em distância, salto triplo e também corrida no atletismo. Depois, comecei a disputar campeonatos baianos, brasileiros, sul-americanos e mundiais. Fui campeão sul-americano, campeão brasileiro, campeão baiano por vários anos e campeão mundial do salto triplo, em 2013”, relembra.

A formação esportiva foi construída ao lado do professor Og Roberson, então presidente da Federação Bahiana de Atletismo e treinador de Júnior. Com ele, o atleta ampliou seus conhecimentos sobre a modalidade e passou a enxergar o esporte também pela perspectiva técnica e organizacional.
"Antes de se dedicar às corridas de rua, já atuava na Federação Bahiana de Atletismo como árbitro. A experiência me abriu caminho para uma nova etapa profissional. Comecei a ter um outro olhar para o segmento. Percebi que a modalidade estava crescendo e que ainda faltavam pessoas qualificadas para conduzir esses eventos”, explica.

Hoje, Júnior acumula mais de cinco anos como diretor técnico de corridas de rua e participa da organização de diversas provas realizadas na Bahia. Há quatro anos, também exerce a função de diretor técnico da Maratona Salvador, acompanhando todas as etapas da competição.
Para ele, o trabalho vai muito além da estrutura montada no dia da prova. O principal desafio é garantir que o atleta tenha uma experiência segura e tecnicamente bem organizada.
“O principal desafio é fazer sempre com que os atletas cheguem ao objetivo deles e se sintam bem com a corrida, tecnicamente. Fazer o show é fácil. Difícil é fazer uma corrida bem feita para os atletas. Enquanto não estiver tudo pronto, até a hora da premiação, você tem que estar sempre atento”, relata.
Da competição ao espetáculo
A experiência como atleta também permite a Júnior acompanhar as transformações pelas quais passaram as corridas de rua. Se no passado as provas tinham como foco principal a competição, hoje os eventos incorporam música, entretenimento e outras experiências que ampliam a relação do público com o esporte.
“A corrida de rua era simplesmente uma corrida. Hoje é um show, é uma festa. A mudança foi drástica, mas eu acho que para melhor, porque estamos conciliando a parte técnica com a parte de shows. A corrida de rua ainda tem muito a crescer”, avalia.

“Salvador hoje tem uma das maiores corridas do Brasil, que é a Maratona Salvador. A gente vem fazendo parte dela como direção técnica há quatro anos e ela vem crescendo muito, principalmente na parte técnica”, acrescenta.
Um olhar sobre diferentes gerações
A relação de Júnior com o atletismo atravessa diferentes gerações. Ao longo dos anos, ele acompanhou atletas que fizeram história na Bahia e também viu surgir novos nomes que passaram a ganhar projeção nacional e internacional.
“Eu vi muitos atletas, desde aquela época de Teixeirinha, Raimundo Nonato, Florindo, Marily e vários outros. Hoje também temos atletas da Bahia se destacando pelo mundo e no Brasil, como Núbia Oliveira e Jeane Barreto”, afirma.
Mais de quatro décadas depois dos primeiros passos no atletismo, Júnior Assis permanece ligado ao esporte, agora contribuindo para a organização das competições e para o desenvolvimento das corridas de rua na Bahia. A experiência acumulada como atleta, árbitro e profissional de Educação Física se transformou em uma atuação voltada para os bastidores das provas e para a qualidade técnica dos eventos.
A diferença entre o atleta e o diretor técnico, segundo ele, está principalmente na responsabilidade assumida em cada função.
“Como atleta, eu era mais descontraído, mais ‘banda voou’. Como diretor técnico, tenho um perfil mais firme, seguro e responsável. Hoje, faço o que precisa ser feito e, se der errado, eu assumo a responsabilidade”, resume.




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