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Corrida de rua cresce como refúgio contra rotina guiada por algoritmos no Brasil

  • Foto do escritor: Tiago Queiróz
    Tiago Queiróz
  • 30 de abr.
  • 2 min de leitura

Um novo levantamento sobre hábitos de consumo e comportamento no Brasil aponta que a corrida de rua vem ganhando um papel que vai além da atividade física.


Em meio a rotinas cada vez mais influenciadas por algoritmos, muitos brasileiros estão encontrando no esporte um raro espaço de autonomia e conexão real.

O estudo “Reset da Mesmice”, realizado pela Box 1824 para a Heineken, ouviu pouco mais de mil pessoas ao longo de dois meses, com entrevistas aprofundadas em parte dos participantes. O foco esteve em consumidores de cerveja entre 25 e 35 anos, buscando entender como a tecnologia impacta as escolhas e relações no dia a dia.


Os resultados revelam uma espécie de cansaço coletivo diante de experiências previsíveis, guiadas por recomendações digitais. Nesse contexto, a corrida aparece como uma alternativa em que o controle volta para o indivíduo — sem interferência direta de algoritmos. Para muitos, trata-se de um momento de presença genuína, em que decisões simples, como ritmo e percurso, dependem exclusivamente de quem pratica.

Entre os entrevistados que correm com frequência, 63,8% disseram enxergar a atividade como seu principal momento de autonomia. Já 55,1% destacaram o alívio do estresse como o maior benefício mental. O aspecto social também chama atenção: 62,5% afirmam que a corrida se tornou uma das principais formas de fazer novas amizades de maneira espontânea, fora do ambiente digital.


Apesar disso, o estudo indica que a lógica de desempenho começa a influenciar até esse universo. Cerca de 26,4% reconhecem a corrida como uma pausa na rotina, mas já percebem a presença crescente de aplicativos monitorando e orientando a prática. Ainda assim, apenas 9,8% encaram o esporte exclusivamente como mais uma tarefa a ser otimizada.


Outro dado relevante diz respeito aos efeitos de se desconectar. Após períodos longe das telas, 44,8% relatam sensação de maior clareza mental, enquanto 40% dizem ter mais energia para outras atividades. Além disso, 37,9% apontam espaços ao ar livre, como parques e praias, como essenciais para reduzir a dependência das redes sociais.

A pesquisa também reforça que a corrida não deve ser vista como uma tendência passageira, mas como um comportamento consistente, associado à busca por bem-estar e equilíbrio. Nesse cenário, marcas já começam a se movimentar para se conectar com esse público, investindo em eventos, experiências e iniciativas voltadas ao universo da corrida de rua.



Crédito: Estadão – Silvia Herrera

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