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Canetas emagrecedoras e corrida: nutricionista alerta para riscos à massa muscular e ao desempenho

  • Foto do escritor: Tiago Queiróz
    Tiago Queiróz
  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

O uso de medicamentos para emagrecimento, como os à base de semaglutida e tirzepatida, tem ganhado espaço entre praticantes de corrida de rua que buscam reduzir o peso e melhorar a composição corporal. Embora possam ser importantes ferramentas quando há indicação clínica, o uso dessas medicações exige atenção especial por parte de quem mantém uma rotina de treinos.


A redução do apetite, característica desses medicamentos, pode dificultar o consumo adequado de proteínas, carboidratos e líquidos — nutrientes fundamentais para a recuperação, a manutenção da massa muscular e o desempenho esportivo. Para falar sobre os impactos das chamadas “canetas emagrecedoras” entre corredores, a nutricionista Caroline Costa, especialista em modulação intestinal, explica os principais cuidados e reforça a importância do acompanhamento profissional.


Veja entrevista completa:


Bahia Run 360: O uso de canetas emagrecedoras, como as à base de semaglutida e tirzepatida, tem crescido entre praticantes de corrida. Quais são os principais riscos e benefícios desse tipo de medicamento para quem treina regularmente?


Caroline Costa: As canetas podem ser excelentes ferramentas quando existe uma indicação clínica. Elas ajudam no controle da fome, da saciedade, da glicemia e, consequentemente, na redução de gordura corporal.

Para o corredor, essa redução de peso pode até melhorar a relação peso-potência e facilitar a corrida. Mas existe um ponto muito importante: não podemos olhar apenas para o peso que está sendo perdido, e sim para o que está sendo perdido.

Se a pessoa perde gordura, preserva músculo e continua bem nutrida, ótimo. O problema é quando a redução do apetite faz com que ela passe a comer muito pouco, comprometendo energia, massa muscular, recuperação e performance.


Bahia Run 360: A perda de peso acelerada proporcionada por essas medicações pode comprometer a massa muscular e, consequentemente, o desempenho e a prevenção de lesões em corredores?


Caroline Costa: Sim. Não só pelo uso da medicação, mas a perda de peso acelerada e sem acompanhamento pode ser um grande problema. Esse é um dos meus principais pontos de atenção com corredores que utilizam essas medicações.

Uma perda de peso muito rápida, principalmente quando acompanhada de baixa ingestão de proteínas e carboidratos, pode levar à perda de massa muscular e ao excesso de fadiga.

Para quem corre, músculo não é só estética. É força, estabilidade, recuperação e proteção contra lesões.





Bahia Run 360: Quais cuidados nutricionais são indispensáveis para corredores que utilizam canetas emagrecedoras, especialmente em relação à ingestão de proteínas, carboidratos e hidratação?


Caroline Costa: A proteína precisa ser muito bem planejada para ajudar na preservação da massa muscular. Em muitos casos, trabalhamos na faixa de 1,5 a 2 g de proteína por kg/dia, mas isso precisa ser individualizado.

Os carboidratos também não podem ser negligenciados. Para o corredor, ou qualquer outro praticante de esportes, os carboidratos são o principal combustível para boa parte dos treinos e provas. A quantidade deve acompanhar o volume e a intensidade do treinamento, aumentando principalmente nos períodos próximos a treinos mais longos ou intensos.

A hidratação também merece uma atenção especial. Enjoos, vômitos, refluxo e redução da ingestão de líquidos podem acontecer, e isso pode impactar bastante a performance e a recuperação.


Bahia Run 360: Como evitar que a redução do apetite prejudique os treinos?


Caroline Costa: Esse é um dos maiores desafios.

O corredor não pode depender exclusivamente da fome para se alimentar enquanto está usando uma medicação que reduz o apetite. É preciso organizar a alimentação. Ou seja, fazer um planejamento do que comer antes, durante e depois do treino, mesmo que a fome esteja menor.

Uma estratégia é trabalhar com refeições menores e mais fracionadas e, dependendo do caso, utilizar suplementos que facilitem a ingestão de carboidratos e proteínas sem exigir um grande volume de comida.


Bahia Run 360: Quando a medicação pode ser indicada para um corredor?


Caroline Costa: A indicação precisa partir de uma avaliação médica. Eu não vejo essas medicações como uma estratégia simplesmente para o corredor “ficar mais leve” ou perder alguns quilos antes de uma prova.

Quando existe obesidade, excesso de peso associado a alterações metabólicas ou outra indicação clínica, elas podem fazer parte do tratamento. E aqui o trabalho em equipe faz toda diferença.

O médico cuida da indicação e da segurança da medicação. O nutricionista cuida da estratégia alimentar e da preservação da massa muscular. O treinador ajusta a carga de treinamento. Quando essas três áreas trabalham juntas, conseguimos buscar composição corporal, saúde e performance sem colocar uma coisa contra a outra.

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