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Atividade física ainda é privilégio? Estudo da USP revela desigualdade no acesso ao exercício; saiba o que orienta o especialista

  • Foto do escritor: Tiago Queiróz
    Tiago Queiróz
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura
 crédito: Junior Damascendo
crédito: Junior Damascendo

Um estudo divulgado recentemente pela Universidade São Paulo (USP) revelou que a prática esportiva no tempo livre está ligada à classe social. Enquanto homens brancos e com alta escolaridade se exercitam cada vez mais, mulheres de minorias raciais com baixa escolaridade apresentam os menores índices de atividade física no lazer.


Isso quer dizer que o exercício físico no momento de folga não depende apenas de motivação, ele também passa por fatores sociais e estruturais.


A análise feita com 978 participantes desde 2014, com coletas de dados em 2014/15, 2020/21 e 2023/24, detectou que “as desigualdades permaneceram e o gap entre os grupos aumentou ao longo de dez anos de acompanhamento. Esse tipo de atividade, infelizmente, continua sendo um privilégio dos grupos socialmente mais favorecidos, que identificamos como homens brancos e com maior escolaridade. Por outro lado, estão entre os mais vulneráveis as mulheres pretas, pardas, amarelas ou indígenas com menos anos de estudo”, disse a nutricionista Andreia Alexandra Machado Miranda, autora correspondente do artigo e atualmente integrante do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.


Apesar dos desafios apontados pelo estudo, o profissional de educação física, Felipe Chokito, destaca que é importante tentar inserir atividades físicas na rotina mesmo que para isso tenha que se buscar novas alternativas. Para ele, mudanças simples podem ser essenciais para uma vida mais saudável de forma acessível.


"A academia é apenas uma das muitas ferramentas disponíveis. É totalmente viável começar a se movimentar usando o próprio peso corporal, fazendo caminhadas ao ar livre, subindo escadas ou praticando exercícios em casa com objetos do dia a dia. O mais importante no início é criar consistência e sair do sedentarismo, não o ambiente onde você treina."

O especialista salienta que iniciar com pequenos passos já faz diferença para a qualidade de vida.


"Nem sempre é necessário reservar uma hora inteira do dia para um treino. Trocar o elevador pela escada, descer um ponto antes do ônibus, caminhar enquanto fala ao telefone ou fazer alguns minutos de alongamento pela manhã já representam uma mudança importante. O que faz diferença é a regularidade dessas pequenas ações", afirma.

Quem pretende começar uma rotina de exercícios sem investir muito dinheiro, Chokito recomenda atividades que utilizam apenas o peso do próprio corpo, como agachamentos, afundos, flexões de braço adaptadas, pranchas e pontes, que são excelentes opções para fortalecer a musculatura. Para melhorar o condicionamento cardiovascular, caminhada, subida de escadas, polichinelos e até pular corda podem ser incluídos na rotina.


Além disso, Chokito também destaca que existem outras atividades democráticas.


“A caminhada e a corrida lideram essa lista, pois exigem pouquíssima infraestrutura e podem ser feitas em locais públicos, como parques, praças e ruas. Pular corda também é um excelente trabalho cardiovascular com custo baixíssimo de equipamento. E, para quem gosta, a dança é uma ótima opção e pode ser praticada em casa com vídeos online”, sinaliza.

Vale destacar que para iniciar uma prática esportiva não é necessário ter muitos gastos. Com o ‘boom’ de conteúdos nas redes sociais, muitas pessoas acham que para ter uma vida mais ativa é necessário treinar na academia mais cara ou ter acessórios que custam uma fortuna. Esse pensamento é totalmente rebatido pelo profissional.


"Não é preciso comprar o tênis mais caro do mercado nem investir em diversos acessórios. Um calçado confortável e seguro, roupas leves e, principalmente, paciência para evoluir aos poucos são suficientes para começar. A motivação vai e vem, mas é a disciplina que transforma a atividade física em um hábito e traz resultados duradouros”, salientou Chokito.

Mesmo com as dificuldades, Chokito ressalta a importância de ir ao médico e fazer exames antes de começar os exercícios físicos, além de seguir as orientações de um profissional de educação física.




 
 
 

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