Dr. Nilo Leão transforma a própria vida com a corrida e amplia a conscientização sobre a saúde do homem

Urologista mudou hábitos e usa o esporte para incentivar o autocuidado; terceira edição da prova acontece em 1º de novembro, em Salvador
A corrida de rua transformou os hábitos e a rotina do médico Nilo Jorge Leão, urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico. Após completar sua quarta meia-maratona, ele compartilha a evolução nas pistas da Bahia e do mundo e utiliza a experiência para incentivar outras pessoas a adotarem um estilo de vida mais saudável.
Idealizador da Blue Run Salvador, evento que une esporte e conscientização sobre o câncer de próstata, Nilo prepara a terceira edição da prova, marcada para 1º de novembro, em Salvador. A iniciativa surgiu de sua atuação na saúde masculina e ganhou dimensão maior do que a prevista inicialmente.
“Sempre gostei de atividades físicas e do esporte em geral. Já fiz jiu-jítsu, natação, gosto de futebol, mas todas as vezes que tentei correr esbarrei na esteira, na monotonia”, conta.
A relação com a corrida mudou em 2024, quando o evento que havia organizado no ano anterior ganhou proporção e passou a se chamar Blue Run. Na ocasião, ele tentou completar os cinco quilômetros sem preparação específica, mas precisou caminhar antes de chegar ao fim.
“Quando deu 3,5 quilômetros, eu corria num ritmo de 5min30s por quilômetro, não aguentei e comecei a andar. Vi uma colega médica, que estava com apenas 45 dias de pós-parto, me passando. Resolvi procurar ajuda de profissionais de Educação Física e fisiologia”, lembra.
A partir de novembro daquele ano, passou a treinar com orientação e estabelecer metas. Desde então, perdeu 16 quilos, reduziu drasticamente o consumo de álcool e incorporou novos cuidados com alimentação, sono e recuperação física.
“Depois que comecei a correr e a buscar desempenho, percebi que isso era incompatível com a saúde. Hoje sou uma pessoa que praticamente não bebe. Não bastava cuidar dos outros como médico, eu precisava cuidar de mim também. ”, afirma.
"Passei a ter muito mais disposição e energia para estar com minhas filhas, que ainda são pequenas, e com minha esposa. Acredito que me tornei um pai e um marido muito melhor para a
Disciplina e respeito aos limites
A evolução nas pistas foi acompanhada de desafios. O primeiro ano de treinamento teve duas entorses de tornozelo e uma síndrome do estresse tibial, conhecida como canelite, que exigiu uma pausa nos treinos.
“A corrida é a verdadeira arte de apanhar, sofrer e continuar, exatamente como é a vida. Aprendi que você tem que encontrar a dose das coisas, que tudo em excesso faz mal, mas também precisa ser resiliente. Se é para parar seis semanas, tem que parar seis semanas”, explica.
A experiência também ensinou que os resultados dependem de constância. Para conciliar os treinos com a agenda profissional, Nilo passou a acordar às 4h30 e reorganizou os horários de descanso.
“Os resultados não vêm rápido. As evoluções na corrida levam seis meses, um ano. Quem espera uma evolução rápida não consegue”, afirma.
Casado, pai de três filhos e responsável por atividades médicas e de coordenação de serviços, ele reconhece que a falta de tempo é um obstáculo comum, mas defende a definição de objetivos para quem deseja começar.
“O tempo é o ativo mais valioso que existe, mas você sempre tem que dar um jeito de criar tempo para si e cuidar da sua saúde. Estabelecer metas e ter orientação ajuda muito a cumprir os objetivos”, aconselha.

O exemplo que chega aos pacientes
A transformação pessoal também repercutiu no ambiente profissional. Segundo Nilo, pacientes relatam que começaram a correr inspirados por sua rotina, enquanto colegas do grupo de 17 urologistas do qual faz parte também passaram a praticar exercícios.
“Pacientes me param para falar que estão fazendo exercício e correndo por minha causa. Dentro do meu próprio grupo, criou-se uma onda em que todos passaram a praticar atividade física”, conta.
Um caso marcante foi o de seu sócio e compadre, Leonardo Calasans, que chegou a pesar quase 130 quilos. Após mudar os hábitos e começar a correr, ele descobriu uma obstrução nas artérias coronárias durante uma avaliação cardiológica para participar de uma prova na Dinamarca. O problema levou à colocação de um stent.
“Isso sem dúvida nenhuma salvou sua vida, mostrando a importância do esporte em modificar a vida das pessoas, não só a nossa, mas também a de quem está ao nosso redor”, relata.
Para Nilo, a preparação esportiva pode estimular a procura por avaliações médicas e exames de rotina, aproximando os praticantes dos cuidados preventivos.
Blue Run une esporte e saúde masculina
A ideia da Blue Run surgiu entre 2022 e 2023, a partir da atuação de Nilo, de Leonardo Calasans e do grupo Uroclínica. O objetivo era estimular hábitos saudáveis e ampliar a discussão sobre a saúde masculina. Posteriormente, o projeto recebeu o apoio da RG+.
“Percebemos que o urologista tem um papel importante na saúde muito além da próstata e quisemos criar um movimento que fizesse as pessoas refletirem e despertarem para o autocuidado”, explica.
O evento começou como Corrida da Saúde do Homem, com cerca de 100 participantes na primeira edição e 200 na segunda. Após adotar o nome Blue Run, reuniu pouco mais de mil pessoas e chegou a aproximadamente 2,5 mil participantes na edição seguinte. Para este ano, a expectativa é superar os 3 mil inscritos.
A prova busca ampliar o debate sobre o câncer de próstata e combater a resistência masculina em procurar atendimento médico, especialmente entre os homens mais velhos.

“Quando a pessoa começa a praticar atividade física, passa a perceber a necessidade de adotar hábitos de prevenção e de diagnóstico precoce. Ela procura um cardiologista, faz exames de rotina e começa a prestar mais atenção à própria saúde”, observa.
Nilo avalia que a iniciativa também ajuda a romper barreiras culturais relacionadas ao cuidado masculino.
“Tem havido uma evolução grande no movimento para que os homens se cuidem mais e quebrem o paradigma de que homem não chora, não sofre”, afirma.
Além dos resultados esportivos, o idealizador espera que a Blue Run mantenha a mensagem de prevenção ao longo de todo o ano.
“Ela representa mudança. Mudou minha maneira de olhar para o meu corpo, entendendo que ele precisa ser cuidado e zelado. Não se trata só de cuidar da minha saúde, mas de levar essa mensagem para todos”, conclui.




Comentários