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De sedentário a maratonista: Saulo Santos supera a obesidade, controla a diabetes e completa quatro maratonas em 2026

Foto do escritor: Tiago Queiróz
Tiago Queiróz
há 4 horas
8 min de leitura

Aos 42 anos, Saulo Santos e Santos acumula conquistas que, há alguns anos, pareciam distantes de sua realidade. Administrador de empresas, analista de Compras e Contratos e integrante da assessoria esportiva Runners Club, ele encontrou na corrida de rua a motivação para transformar hábitos, enfrentar a obesidade e melhorar os indicadores de saúde. Diagnosticado com diabetes tipo 2, iniciou sua trajetória com caminhadas pela orla de Salvador e chegou à marca de seis maratonas concluídas, sendo quatro somente em 2026.


A conquista mais recente aconteceu no dia 1º de novembro, quando completou os 42 quilômetros da Maratona de Aracaju, em Sergipe. A prova encerrou um ciclo de quatro maratonas em menos de cinco meses e exigiu não apenas preparo físico, mas também equilíbrio emocional.


Antes de entrar no universo das corridas, Saulo mantinha uma rotina sedentária, concentrada nas atividades profissionais. O alerta veio durante os exames admissionais para um novo emprego, quando descobriu que tinha diabetes tipo 2. Mesmo com acompanhamento médico e uso de medicamentos, apresentou dificuldades para controlar a doença. A situação ficou ainda mais preocupante após uma ultrassonografia revelar esteatose hepática grau 3, um quadro avançado de gordura no fígado.


Na época, sua hemoglobina glicada chegou a 11,2%, enquanto a glicemia estava na faixa dos 260 mg/dL. O médico alertou sobre os riscos de complicações graves caso não houvesse uma mudança nos hábitos.


"Minha vida era bastante sedentária. Eu vivia praticamente em função do trabalho e sempre encontrava uma justificativa para não praticar atividades físicas. Costumava dizer que não tinha tempo para cuidar da saúde, quando, na verdade, acabava não fazendo dela uma prioridade", recordou.

Sobre o momento em que decidiu mudar, acrescentou: "Não bastava apenas tomar medicamentos. Eu precisava mudar meus hábitos e assumir um compromisso verdadeiro com a minha saúde."


Dos primeiros passos aos 5 quilômetros


A transformação começou com caminhadas pela orla de Salvador. Inicialmente, Saulo acompanhava a esposa, que praticava pilates, e aproveitava o período das atividades dela para caminhar entre a região do Jardim de Alah e o Parque dos Ventos. Com o passar do tempo, começou a intercalar caminhadas com pequenos trotes.


O reencontro definitivo com a corrida aconteceu em 2023, quando um amigo do trabalho o convidou para participar da Corrida das Quatro Estações – Inverno. Na primeira prova oficial, completou 5 quilômetros em aproximadamente 45 minutos.


"Eu me senti o rei do mundo! Para muita gente, talvez fossem apenas 5 quilômetros em 45 minutos. Para mim, era uma conquista gigantesca. Era a prova de que eu poderia ir além das limitações que imaginava ter. Saí daquela prova com uma sensação de felicidade, realização e vontade de continuar. Foi naquele momento que pensei: 'É isso que eu quero para minha vida!'", relatou.

Em 8 de setembro de 2023, Saulo ingressou na Runners Club e, cerca de 15 dias depois, iniciou o acompanhamento com o personal trainer João Paulo. A orientação profissional foi importante para estruturar os treinamentos e desenvolver o fortalecimento muscular, especialmente diante do histórico de rupturas nos dois tendões de Aquiles. No início, também enfrentou um quadro de canelite.


"Tenho uma característica muito forte na minha personalidade: quando entro em uma guerra, entro para vencer. Não entro para ser superado. Quero me superar o tempo todo!", afirmou.


A corrida passou a representar uma mudança que ultrapassou os limites dos percursos. Saulo reorganizou a alimentação, intensificou os treinamentos e passou a dedicar mais tempo aos cuidados com a saúde.


Durante aproximadamente três meses, entre setembro e dezembro de 2023, chegou a sair de casa às 4h para treinar e, depois, seguir diretamente para o trabalho.


"Era preciso ter muita disciplina, determinação e vontade de mudar. Eu saía de casa muito cedo, treinava e depois ia trabalhar. Foram meses intensos, mas comecei a perceber os resultados. Passei a perder peso, reduzir medidas e melhorar meu condicionamento", lembrou.

Um dos momentos mais marcantes aconteceu no final de novembro de 2023, durante uma consulta com sua endocrinologista. A mudança física foi tão significativa que a médica inicialmente não o reconheceu.


"Ela simplesmente não me reconheceu! Eu havia emagrecido tanto que parecia outra pessoa. Costumo brincar dizendo que parecia até que eu tinha mudado de CPF. Mas a maior surpresa veio quando ela começou a analisar meus exames. Minha hemoglobina glicada, que anteriormente havia chegado a 11,2%, estava em 5,6%. Aquilo representou uma vitória gigantesca para mim!", destacou.

Desde então, Saulo mantém acompanhamento com endocrinologista, cardiologista e outros profissionais. A alimentação também passou a ser organizada de acordo com as exigências dos treinamentos, especialmente nos períodos de preparação para provas longas.


"Aprendi que a alimentação é a base de tudo, principalmente para quem convive com a diabetes tipo 2 e pratica uma atividade tão exigente quanto a corrida de longa distância. Como normalmente corro muito cedo, procuro fazer uma boa alimentação na noite anterior. Nos treinos mais longos, principalmente acima de 10 quilômetros, costumo levar sachês de gel de carboidrato para reposição energética e como parte dos cuidados diante do risco de queda da glicemia", explicou.

O corredor relata que já enfrentou dois episódios de queda de glicemia durante esse processo e reforça a importância do acompanhamento individualizado. "Minha experiência não significa que outras pessoas com diabetes devam adotar as mesmas estratégias. Cada organismo responde de uma maneira, e os cuidados precisam ser individualizados, com orientação profissional."


O sonho dos 42 quilômetros


Desde o início na corrida de rua, Saulo tinha um objetivo definido: completar uma maratona. Os 5 e 10 quilômetros eram etapas de um projeto maior, que exigia preparação física, fortalecimento e paciência.


"Desde o momento em que decidi entrar para a corrida de rua, estabeleci um objetivo: eu queria correr 42 quilômetros! Nunca entrei na corrida pensando apenas nos 5 ou 10 quilômetros. É claro que cada distância conquistada tinha sua importância, mas, na minha cabeça, todas elas eram etapas de um sonho maior", contou.

A primeira maratona aconteceu em junho de 2025, no Rio de Janeiro. Saulo completou os 42 quilômetros em aproximadamente 4h56. Três meses depois, na Maratona de Salvador, reduziu o tempo para cerca de 4h16.


Em 2026, voltou ao Rio de Janeiro e alcançou um resultado especial: 3h52, sua primeira maratona abaixo das quatro horas. Na Maratona de Florianópolis, também completou a distância abaixo desse limite, com aproximadamente 3h56. Na sequência, vieram as provas de Salvador e Aracaju, que exigiram uma estratégia diferente diante do desgaste acumulado.


"Quando olho para essa trajetória, percebo a importância de ter sonhado grande, mas também de ter respeitado cada etapa da preparação. Eu comecei correndo 5 quilômetros em 45 minutos, mas já sonhava com os 42. O sonho sempre esteve presente. O que precisei construir, quilômetro após quilômetro, foi o caminho para realizá-lo", afirmou.


Runners Club: a importância do apoio coletivo


Na trajetória até as maratonas, Saulo encontrou na Runners Club um espaço de acolhimento, amizade e incentivo. Integrante do grupo conhecido como "Noturno da Runners", que treina na Praça do Eucalipto, em Salvador, ele considera que encontrou na assessoria uma verdadeira família.


Entre as lembranças, recorda um treino de duas horas em ritmo leve, durante a preparação para sua primeira maratona. Na ocasião, os amigos Nino e Cláudio se revezaram para acompanhá-lo, inclusive debaixo de chuva.


"São atitudes que parecem simples, mas fazem uma diferença gigantesca para quem está se preparando para correr 42 quilômetros. A gente compartilha os treinos, as dificuldades, as conquistas e os sonhos. Muitas vezes, o que nos faz continuar é saber que existe alguém disposto a correr ao nosso lado", ressaltou.

O corredor também reconhece o trabalho do treinador Carlos Felipe, conhecido como Chokito, responsável pela orientação dos treinamentos na assessoria, e de João Paulo, seu personal trainer desde o início da transformação.


"A Runners Club me ofereceu estrutura, orientação, incentivo e, principalmente, acolhimento. Tenho muito orgulho de fazer parte de uma assessoria que considero uma das grandes referências da corrida de rua na Bahia. Hoje, quando olho para minhas conquistas, sei que nenhuma delas foi construída sozinho", disse.
"A medalha pode até ser individual, mas a conquista é coletiva. Cada pessoa que correu ao meu lado, cada treinador que me orientou e cada amigo que me incentivou também faz parte dessas maratonas.", completou.

Maratona de Aracaju: o desafio emocional


A Maratona de Aracaju, realizada em 1º de novembro, encerrou o ciclo de quatro provas de 42 quilômetros em menos de cinco meses. No entanto, foi também a mais desafiadora para Saulo, que enfrentava um processo de esgotamento relacionado ao trabalho.


Diferentemente das maratonas anteriores, chegou à capital sergipana sem conseguir cumprir a preparação desejada e com dúvidas sobre sua capacidade de concluir a distância.


"Foi a primeira vez que fui para uma maratona com uma dúvida muito forte dentro de mim: será que eu realmente conseguiria completar aqueles 42 quilômetros? Isso era algo novo para mim, porque sempre fui uma pessoa muito determinada, que entra nos desafios para vencer", revelou.

Durante a prova, entretanto, encontrou uma motivação diferente. Mesmo enfrentando dificuldades pessoais, passou a incentivar outros corredores e compartilhou parte do percurso com um grupo de aproximadamente cinco ou seis atletas, ajudando-os a seguir até a linha de chegada.


"Aracaju me ensinou que existem momentos em que nossa maior batalha não está nas pernas, no fôlego ou no percurso. Está dentro da nossa própria cabeça. Mesmo enfrentando minhas dificuldades, encontrei forças para conversar, brincar, descontrair e motivar aquelas pessoas", contou.

Uma mensagem enviada pelo personal trainer João Paulo depois da prova também marcou o corredor. Ao reconhecer a força demonstrada durante o percurso, o treinador o fez refletir sobre a dimensão daquela conquista.


"Cheguei a Aracaju duvidando da minha capacidade de terminar a prova, mas, ao longo do percurso, não apenas encontrei forças para continuar como também consegui ajudar outras pessoas a realizarem seus objetivos. Naquela prova, eu não precisava vencer o relógio. Precisava vencer uma batalha dentro de mim. E consegui", afirmou.

Ao cruzar a linha de chegada, Saulo também lembrou do homem sedentário que, alguns anos antes, havia recebido o diagnóstico de diabetes e enfrentava problemas de saúde.


"Eu lembrei daquela pessoa acima do peso, que descobriu a diabetes e precisou mudar completamente seus hábitos. Naquela época, correr cinco quilômetros já parecia algo muito distante da minha realidade. E ali estava eu, completando mais uma prova de 42 quilômetros e encerrando um ciclo de quatro maratonas em menos de cinco meses", recordou.

"O primeiro passo só precisa acontecer"


Com seis maratonas concluídas e quatro provas de 42 quilômetros em 2026, Saulo pretende utilizar sua experiência para incentivar outras pessoas que convivem com a obesidade, a diabetes ou o sedentarismo a buscar uma vida mais saudável.


O conselho é não transformar a maratona em ponto de partida. Para ele, a mudança começa com pequenas atitudes, respeitando os limites individuais e buscando orientação profissional.


"Existe luz no fim do túnel! Eu sei que receber um diagnóstico de diabetes ou enfrentar a obesidade pode assustar. Eu passei por isso. Sei como é olhar para os exames, perceber que a saúde não está bem e ficar preocupado com o futuro", declarou.

Ele também ressalta que não existe uma fórmula mágica para transformar a saúde e que cada pessoa precisa encontrar uma atividade adequada às próprias condições.


"Você não precisa começar correndo uma maratona. Aliás, nem precisa começar correndo! Comece caminhando. Caminhe cinco minutos por dia. Depois, dez minutos. Aos poucos, respeitando suas condições e com a orientação necessária, você pode aumentar esse tempo. O importante é começar", aconselhou.


"Para alguém, pode ser conseguir caminhar por dez minutos. Para outra, melhorar os exames, perder alguns quilos, recuperar a disposição ou simplesmente conseguir brincar com os filhos sem se cansar tanto. E todas essas conquistas têm um valor enorme.", acrescentou.

Ao final, deixa uma mensagem que resume sua trajetória:


"Você ainda está vivo. E, enquanto estiver vivo, tem todo o direito de lutar pela sua vida, pelos seus sonhos e pela oportunidade de escrever uma nova história. Foi isso que eu fiz. E continuo fazendo, um quilômetro de cada vez."

1 comentário


Fernanda Ayres
Fernanda Ayres
há 3 horas

Saulo você é uma inspiração. Parabéns!!

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