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Corrida x antidepressivos: estudo revela empate surpreendente no tratamento da depressão e ansiedade

  • Foto do escritor: Tiago Queiróz
    Tiago Queiróz
  • 6 de mai.
  • 2 min de leitura


Correr regularmente pode ter o mesmo efeito que o uso de antidepressivos no combate à depressão e à ansiedade. A conclusão é de um estudo apresentado durante a Conferência do Colégio Europeu de Psicofarmacologia, em Barcelona, e publicado no Journal of Affective Disorders.


É a primeira pesquisa a comparar diretamente os impactos dos medicamentos com a prática de exercícios físicos na saúde mental e geral.

O acompanhamento durou 16 semanas e mostrou resultados equivalentes entre os dois grupos: tanto quem utilizou medicação quanto quem participou de sessões de corrida apresentou melhora semelhante nos sintomas. Ao todo, 141 pacientes com depressão e/ou ansiedade participaram do estudo, podendo escolher entre tratamento com antidepressivos ou um programa de corrida em grupo.


A maioria optou pelo exercício físico: 96 participantes escolheram correr, enquanto 45 preferiram a medicação. Segundo a pesquisadora Brenda Penninx, da Universidade Vrije, na Holanda, a proposta era avaliar não apenas a saúde mental, mas os impactos gerais no organismo.

Enquanto o grupo medicado utilizou escitalopram ao longo do período, os praticantes de corrida participaram de duas a três sessões semanais, com duração de 45 minutos cada. Apesar da preferência inicial pela atividade física, a adesão foi menor entre os corredores (52%) do que entre os que tomaram antidepressivos (82%).


Benefícios além da mente


Ao final do estudo, cerca de 44% dos participantes de ambos os grupos apresentaram melhora nos quadros de depressão e ansiedade. No entanto, quem aderiu à corrida também registrou ganhos adicionais na saúde física, como redução de peso, melhora da pressão arterial e melhor funcionamento cardíaco.


Já os participantes que utilizaram antidepressivos apresentaram uma leve piora em alguns indicadores metabólicos, como peso corporal e variabilidade da frequência cardíaca.

De acordo com Penninx, embora os medicamentos sejam eficazes e seguros para a maioria das pessoas, o exercício físico surge como uma alternativa — ou complemento — relevante no tratamento. “A atividade física incentiva mudanças no estilo de vida, promove interação social e melhora o condicionamento físico”, destaca.


Combinar pode ser o melhor caminho


Especialistas ressaltam que não se trata de substituir um tratamento pelo outro. A combinação entre exercício e medicação pode ser a estratégia mais eficaz, dependendo de cada caso.


O estudo também evidencia um desafio importante: mudar hábitos é mais difícil do que tomar um comprimido. A diferença na adesão entre os grupos mostra que, embora atrativo, o exercício exige disciplina, acompanhamento e incentivo contínuo.

Ainda assim, os resultados reforçam a importância de incluir a atividade física como parte do cuidado com a saúde mental, ampliando as opções terapêuticas disponíveis para pacientes.

 
 
 

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